sábado, 10 de maio de 2014

A matéria das Palavras

Estamos aqui. Interrogamos símbolos persistentes.
É a hora do infinito desacerto-acerto.

O vulto da nossa singularidade viaja por palavras
matéria insensível de um poder esquivo.

Confissões discordantes pavimentam a nossa hesitação.
Há uma embriaguês de luto em nossos actos-chaves.

Aspiramos à alta liberdade
um bem sempre suspenso que nos crucifica.

Cheios de ávidas esperanças sobrevoamos 
e depois mergulhamos nessa outra esfera imaginária.

Com riscada atenção aspiramos à ditosa notícia 
de uma perfeição especialista em fracassos.

Estrangeiros sempre
agudamente colhemos os frutos discordantes. 

Ana Hatherley





quarta-feira, 23 de abril de 2014

Abri uma página ao acaso de um dos livros do escritor Eugénio de Andrade, saiu isto:

Brotou água onde tudo era secura.
Paz onde morava a solidão.
E a certeza de que a sepultura
é uma cova onde não cabe o coração. 

Eugénio de Andrade





sexta-feira, 11 de abril de 2014

Simplicidade *



Facto: Não é preciso ter asas para voar...



As coisas são simples. O ser humano é que é complexo. A sua complexidade é a muralha que quase sempre nos distância da felicidade.





sábado, 5 de abril de 2014

A escalada

Um caminho longo
vários trilhos que muitas vezes,
nos levam ao nada.


Uma chuva de obstáculos
ultrapassada, 
A luz que renasce
 com pequenas metas.


A lua chega
silenciosamente
com os nossos sonhos,
medos e frustrações.



O sol veste-nos 
de força para continuar
a escalar a montanha
da vida.



(Este foi de improviso.. a ressacar da falta do sol. Onde estás tu?)



quarta-feira, 26 de março de 2014

Entre rascunhos

Facto: Há uma vez na vida que os nossos sentimentos são estrangeiros aos olhos dos outros.


(Rascunho perdido desde 04/2011. Ainda faz sentido.)

segunda-feira, 10 de março de 2014

No ouvido *

Cada vez que siento que el mundo se me esta cerrando,
solo pienso en encarparme del mal,
y cada vez que siento que el aire se me esta acabando
solo pienso en volar,
hasta donde nadie me pueda encontrar

Frankie J

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Viagem ao passado

E cá estou eu. De pernas dormentes de estar sentada na mesma posição, a ouvir a música do meu coração, depois de uma leitura a este blog - a minha carapaça - cheia de tralha desde 2008. A minha casa. À anos que aqui estou, nesta casa de acesso restrito - pois não faço o mínimo esforço para a divulgar, até porque só entra na nossa casa quem nos queremos e quem a procura, é quem realmente a conhece, certo? 

Este lugar nasceu numa tarde quente de Agosto, tarde de verão e muito tédio. Nasceu com a vontade de me expressar sem ser pela via da oralidade, que para mim sempre foi uma grande barreira aos meus sentimentos, às minhas opiniões, aos meus sonhos, desde muito pequenina. 

A necessidade que eu sentia de me expressar com palavras mudas, ao longo do tempo, foi-se tornando um gosto. E hoje em dia se escrevo, é para arrumar as ideias nas gavetas, abrir as janelas às minhas opiniões, limpar o pó aos sonhos e arrumar os sentimentos nos armários, direitinhos para não se confundirem ao vestir. Sim, nós vestimos-nos de sentimentos todos os dias quando saímos de casa, pensando melhor até mudamos de "roupa" várias vezes ao dia? Para além disto tudo, escrevo sobretudo porque me faz feliz. Esta casa, faz-me feliz.

Olhando para trás e fechando os olhos, imagino esta casa sendo um pequeno chalet abandonado em tons de creme, húmido do mar, imagino um grande alpendre com uma cadeira de baloiço branca, comida pelo sol e pela maresia. No interior da casa, móveis tapados com lençóis, uma desarrumação de quem saiu à pressa de uma vida, e a abandonou. Fotografias espalhadas pela casa, com sorrisos de quem um dia foi feliz e nunca soube. Muitas cartas escritas, perdidas e engolidas pelo tempo e nunca enviadas ao seu destino. Lá fora no jardim das traseiras, grandes pinheiros com décadas, fazem sombra. Neste jardim é sempre de noite. Cheira a mágoas e respira-se solidão. 

A minha casa , imagino-a assim. Esta casa é tudo o que vivi até hoje. Já foi um suspiro da ausência, hoje é apenas um mar de sentimentos acumulados. Este blog, é mais que uma casa. É uma vida. A minha vida. :)