Sei lá, acho que nunca me custou tanto escrever como agora. As palavras ficam agarradas às pontas dos dedos. Penso em tudo. Tenho tanto por dizer. Sinto-me cheia. A minha memória rebenta pelas costuras. Não me quero esquecer. Mas nada transborda para aqui, para este quadrado branco a minha frente, que tantas vezes me segurou e ouviu as minhas palavras silenciosas, todas elas. As tristes, as felizes, as mais furiosas. (Apesar das tristes, ganharem com a maioria).
A felicidade faz-me escrever. A tristeza também. Hoje não me sinto. À semanas que não me sinto. Não escrevo. Nada me sai. As palavras. Estas continuam agarradas. Agarradas às pontas dos dedos.
(Desculpa Susana. Queria confortar-te.
Mas não consigo. Talvez amanhã. Outra tentativa.)

