domingo, 6 de junho de 2010

Ella





Hoy vas a descubrir que el mundo es solo para ti
Que nadie puede hacerte daño, nadie puede hacerte daño
Hoy vas a comprender que el miedo se puede romper con un solo portazo
Hoy vas a hacer reír porque tus ojos se han cansado de ser llanto, de ser llanto
Hoy vas a conseguir reírte hasta de ti y ver que lo haz logrado

Hoy vas a ser la mujer que te dé la gana de ser
Hoy te vas a querer como nadie te ha sabido querer
Hoy vas a mirar pa'lante, que pa atrás ya te dolió bastante
Una mujer valiente, una mujer sonriente
Mira como pasa

Hoy no ha sido la mujer perfecta que esperaban a rotos sin pudores
Las reglas marcadas
Hoy ha calzado tacones para hacer sonar sus pasos
Hoy sabe que su vida nunca más será un fracaso

Bebe

domingo, 30 de maio de 2010

Ouvir a música que vem do coração

O Domingo passou depressa. Quando dormimos, os ponteiros do relógio correm na direcção do futuro. Hoje não vi a luz do dia. Fechei-me – mais uma vez – na minha concha. Afoguei-me debaixo dos cobertores. E por ali fiquei horas a fio.
Não sei se foi o cansaço que me levou a dormir tanto, ou o desejo de ouvir-me.


(Hoje nada me apetece. Só ficar assim.
A ouvir a minha música. Leve e vazia de nadas.)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O Suspiro Adiado



E cá estou eu - mais uma vez - a correr para ti. E mais uma vez para ti.
E isto sucede, sempre que tropeço em mim. Quando tropeço nos meus passos desajeitados, moldados às pedras que nos acertam em cheio na vida. A necessidade de te encontrar flutua nos meus desejos adiados pela força da existência.



Procuro-te. E é aqui que te encontro. Neste lugar, tão vazio e tão cheio de palavras cobertas de silêncio, que procuram - sempre - a voz das tuas palavras, para amolecer a dureza das quedas. Aqui encontro apenas metade de ti. A metade de ti, que é a metade mais forte em mim. Tu és o meu segredo. A minha injecção de confiança.


Para ti, tenho sempre a mesma face. Sou sempre eu, autêntica e única. Não outra. Não me escondo, porque me aceitas, tenha eu um sorriso ou a lágrima a cair ao canto do olho. Tenha eu, às costas uma bagagem com a leveza de sonhos, ou uma bagagem pesada, cheia de fantasmas e incertezas. Afinal, é esta junção de sentimentos contraditórios, que nos faz sentir o nosso sangue a correr-nos nas veias. Faz parte da vida, tal como tu fazes parte da minha. Obrigada por estares sempre comigo.

Continua a tapar-me a lua, para eu não chorar. A empurrar-me para cima, quando há algo que me tenta afogar. E claro, a sorrir comigo :)


Meu amigo,
que assim fique liberta a eterna gratidão
e toda a admiração que sinto por ti.





E esta foi mais uma - das centenas cartas - que te escrevi ao longo destes quatro anos. Tão longos e por vezes, tão cheios de nada. Eu sei, que me lês atentamente e ouves a minha voz parar uns segundos, nas pausas das vírgulas. Sei também, que me guardas. A mim, e a todas as cartas que te escrevo.
No outro dia, ligaste-me. Quando vi o teu nome no ecrã do telemóvel, o meu coração saltou do peito. Sentia-o a bater nas minhas mãos. E nunca mais me esqueço, das primeiras palavras que  atravessaram  para este lado da linha: "Precisava de te ouvir" - provavelmente não estavas bem. Mas não toquei no assunto. Tudo aquilo que me querias contar, eu estava ali para ouvir.

Nem sempre falamos a mesma língua. E estes dias, têm sido verdadeiramente complicados. Às vezes, não percebo onde vais buscar tanta paciência para me aturares.  Sempre te disse tudo, e palavras por vezes tão fortes e sem pára-quedas. No entanto, perdoas-me sempre.  A paciência, sempre foi uma virtude tua. A ausência, sempre foi um defeito meu.

Vais continuar a ser  o barbudo. O homem que sorri sempre que lhe conto uma piada, por mais seca que for. A música vai-te sempre saltar do peito. Vais-me continuar a dar a mão. Vais continuar a consertar o nosso castelo de areia. E provavelmente, vais continuar a combinar os ténnis com a t-shirt.







Ansiedade à flor da pele

Hoje sinto-me como se tivesse caído numa banheira de ansiedade. Mergulho nesta inquietação, nesta espera, cada vez mais reduzida. Sinto-me fechada numa gaiola, à espera que me alguém me abra a porta, para me atirar de cabeça à vida. Espero assim, arduamente, que a velocidade dos dias, me aproxime do meu futuro.
Nestas duas semanas - para que passem a correr, sem as sentir - vou por o presente dentro de uma caixa no fundo do meu roupeiro.


Não sei se hoje, ou amanhã
mas um dia encontrarei o rumo,
da minha vida.
Um dia.

domingo, 23 de maio de 2010

Facto:


Agora que reaprendi a rir, já não sei chorar.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Jardim Perdido

Jardim
em flor, jardim de impossessão,
Transbordante de imagens mas informe,

Em ti se dissolveu o mundo enorme,
Carregado de amor e solidão.


A verdura
das arvores ardia,
O vermelho das rosas transbordava
Alucinado cada ser subia
Num tumulto em que tudo germinava.


A luz trazia
em si a agitação
De paraísos, deuses e de infernos,
E os instantes em ti eram eternos
De possibilidades e suspensão.


Mas cada
gesto em ti se quebrou, denso
Dum gesto mais profundo em si contido,
Pois trazias em ti sempre suspenso
Outro jardim possível e perdido.


Sophia de Mello Breyner

terça-feira, 13 de abril de 2010

Das Cinzas

 
Eu não falo. Nunca falo. Por isso escrevo.
 É mais fácil, que as palavras falem por mim.
São o intermediário entre mim e o mundo.
Porque sim. E hoje, estou aqui.  
E escrevo somente para me ouvir. 




Sempre pensei que o teu silêncio fosse sinal de esquecimento, por isso nunca pensei que voltasses. Mas voltaste e pediste um lugar no meu regaço, para chorares - como nunca tinhas feito. E eu? Envolvi-te na minha atmosfera - aparentemente - feliz com um propósito: somente animar-te. Fazer com que não desistas daquilo que realmente te faz sorrir. Porque, é isso que importa. Sorrir. 
Mas eu - sempre ao contrário - chorei. 
Através de ti, lembrei-me daquilo que fui. E chorei, pela minha morte, e por não saber onde esconder as minhas cinzas. Apesar de ter conseguido renascer, as cinzas do que fui  anteriormente, que permaneciam à superfície da minha pele, ultrapassaram as veias, e chegaram ao coração.  Cinzas que desenterraram as recordações guardadas na minha outra página. Na minha outra história. Na minha outra vida. Chorei. Chorei baixinho. 

Em ti vi, o meu espelho. Tudo aquilo que eu fui.
Agora vê em mim, o teu futuro.